sábado, 17 de julho de 2010

Here I am again!!!

Oi pessoas!

Eu sei que há apenas 5 dias eu escrevi que dali em diante eu ficaria sem muito tempo e/ou acesso à internet, e que talvez aquele fosse meu último post no blog, mas a verdade é que eu não me aguentei!

Começamos agora a nossa viagem, e tem tantas coisas legais acontecendo e que eu quero compartilhar com vocês, que resolvi que vou me esforçar ao máximo para mantê-los atualizados de tudo.

Maaas, como eu sou eu – uma pessoa extremamente metódica – é claro que não vou pular direto de Istambul (último post) para o dia de hoje (17 de julho, sábado). Essa lacuna no tempo iria me atormentar profundamente, provavelmente por toda a eternidade (e quem me conhece bem sabe que isso não é uma brincadeira). Tal pai, tal filha! Né seu Nelson?

Então vou fazer um post comentando “brevemente” (AHAM, como se isso fosse possível!) os acontecimentos dos dias da semana passada.

Segunda-feira

A segunda-feira teria sido mais um dia normal, de aulas e apresentações para os teenagers, se não fosse por um acontecimento muito... Especial.

Depois que voltei do meu intervalo de almoço, uma das minhas alunas (A Ozgenur – se fala “Osguen”) me chamou num canto e falou que queria fazer um “speech” pra mim. Eu, bem tança, achei que ela queria fazer alguma pergunta sobre a aula ou qualquer coisa do gênero. So... “Ok my dear, I’m listening to you”.

Daí ela parou na minha frente e começou – foi mais ou menos assim: “Simone, since the first time I saw you I really really liked you and connected with you. You are really special. I think of you as if you were my older sister, and this is why I want to give you this”.

Então ela tirou da bolsa um pacotinho de presente com uma pulseirinha dentro, e quando eu abri e vi a pulseira (já quase chorando) ela me mostrou o braço dela, e que ela tinha uma pulseira igual. E me deu um abraço apertado e um beijo na bochecha.

Ai gente, achei muito lindo! Impossível de explicar somente com palavras. Foi um daqueles momentos em que as coisas ganham um sentido completamente diferente. Afinal de contas, quando na minha vida que eu imaginei que serviria de “role model” para uma teenager turca? Ainda por cima levando em consideração que antes de começar o Camp eu estava apavorada, achando que os alunos iam me odiar e morrendo de medo deles... Então foi, com certeza, mais um daqueles momentos que sozinhos fazem a experiência inteira valer à pena.

Terça-feira

Na terça-feira as aulas acabaram mais cedo, e por conta disso os AIESECers e os interns resolveram dar uma esticadinha no pub para um Happy Hour (conceito aparentemente universal).

Agora as pessoas que acompanharam meus posts desde o início pensam: “lá vai ela de novo falar do único pub da cidade que aceita mulheres estrangeiras que bebem álcool e mostram seus corpos”... Nada disso! PASMEM! Saímos na companhia de um AIESECER mais velho, que nos mostrou que nem tudo está perdido. Afinal de contas, descobrimos que tem outro pub legalzinho em Izmit que nós podemos frequentar. Oba!!!

Esse AIESECer é uma figura, e merecia um post inteiro dedicado somente a ele. O nome dele eu não faço nem idéia, mas todo mundo o chama de Ozzy. Inspiração para o apelido: Ozzy Osbourne, o próprio. Então já dá pra imaginar a cara da figura. Cabelão comprido, camiseta de banda de rock, e um colar de caveira (ou “Senhor Coveiro” para a minha amiga Luiza) que acho que nunca deve ter saído daquele pescoço.

Só pelo estilão do moço, já é de se esperar que ele tenha a cabeça um pouco mais aberta que o average turkish guy, right? Então me aproveitei do fato para descobrir qual é, realmente, a dessa juventude. Como diz o ditado, o chopp entra e a verdade sai!

Pra começo de conversa: ele era muçulmano até os 15, 16 anos. Naquela época se revoltou e começou a se questionar sobre várias coisas (como todo bom adolescente), e acabou por se tornar “satanist”. Hmmm, ok. Já namorou umas duas ou três mulheres, e com uma delas inclusive manteve relações sexuais.

(Porque eu estou falando isso? Porque sexo antes do casamento é proibido na religião muçulmana. E eu acreditava que as pessoas de fato respeitavam essa proibição. Mas acabei descobrindo que não).

Segundo o Ozzy, na Turquia é comum que os homens percam sua virgindade antes de se casarem. Mas se as mulheres não podem fazer sexo, então como é que isso acontece? Hmmm... Any guesses?

Fácil né! Na Turquia também existem casas de prostituição (segundo um amigo meu, a profissão mais antiga da humanidade). Obviamente, essas casas não são legalizadas. E segundo o Ozzy, a grande maioria dos amigos dele já tinha ido pelo menos uma vez em um estabelecimento do gênero.

E as mulheres? Geralmente, de fato casam virgens. Quando namoram há algum tempo com a mesma pessoa, pode acontecer de fazerem sexo antes do casamento. Mas caso o namoro termine, segundo o Ozzy, essa mulher vai ter que ter bastante sorte para encontrar algum homem de cabeça muito aberta, que aceite casar com ela. Porque na visão dos homens, é como se aquela mulher já tivesse sido “usada”.

Todo esse papo me fez lembrar de diversas novelas da Globo. Eles fazem todo um enredo, montam um elenco, capricham nas locações e nos figurinos, e all of a sudden o país inteiro está parado na frente de uma televisão religiosamente, todos os dias, as 21 horas, sofrendo junto com o drama pessoal da Jade e afins.

Ficamos ali de espectadores, e temos a impressão de que aquela história “exótica” é extremamente distante da nossa realidade. Mas o que eu percebi é que de fato, não é. As mulheres não precisam usar xales coloridos, dançar a dança do ventre ou morar no meio do deserto. São mulheres normais como todas nós, que usam calça Levis e tênis All Star, ouvem música americana, vão para a Universidade, e que ainda assim sofrem esse tipo de discriminação.

Bom, pararei meus comentários sobre o assunto por aqui, porque acho que não cabe a mim julgar religião e diferenças culturais. Realmente, acredito que somente nascendo e crescendo em determinado meio é que alguém é capaz de entender a sua real complexidade. Só queria mesmo dividir um pouquinho desse papo muito louco com aqueles que acompanham meu blog.

Quarta-feira

Mais um dia quente como o inferno. Para vocês terem uma idéia, na volta de Izmit para Hereke, o ônibus permaneceu durante todo o trajeto (40 minutos) com as portas abertas, para refrescar um pouco o ambiente (e isso porque o ônibus não estava nem tão cheio assim). Ah, e eu demorei um tempão para entender o porque da porta aberta – fiquei pensando “meu Deus, que gente estranha, fecha essa porta, que perigo!!!”. Ahahahahahahah, olha eu, super acostumada com o transporte público né.

Mas o acontecimento mais legal da minha quarta-feira foi a hora da janta.

Estávamos todos reunidos na mesa (eu, mãe, pai e Bilge), e a minha mãe falou (e a Bilge traduziu, obviamente) algo do tipo: “Simone, we will miss you. We got very used to having you here. You changed our lifes a little bit. You are very nice and very easy to live with. Graduate and come back to Turkey, you can live here with us”.

Sem mais comentários. Sentirei muitas saudades da Turquia.

Quinta-feira

Quando estávamos nos preparando para o intercâmbio, fomos informadas de que teríamos que cozinhar comidas típicas brasileiras em um evento de integração entre os interns e os alunos (chamado “Global Village”). Então eu e a Fê trouxemos para cá alguns ingredientes necessários para preparar as nossas especialidades brasileiras.

Nada de feijão, obviamente. Os “ingredientes” eram duas latas de leite condensado e uma lata de nescau, para fazermos brigadeiro e uma nega maluca.

Acabou que fomos embora de Kocaeli antes do Global Village acontecer, e por isso resolvemos preparar os quitutes para as nossas famílias. Tudo bem, admito que cozinhar não é exatamente a minha especialidade, mas também não dá pra negar que a minha nega maluca não deixa nada a desejar!

Cheguei em casa na quinta-feira depois do trabalho e fui com a minha irmã para a cozinha. Como ela adora cozinhar (e o faz muito bem), falei pra ela me ajudar no processo.

Mas então ela veio com uma história meio estranha... Falou que a farinha que ela tinha em casa era diferente das farinhas normais, e que não era pra eu usar a mesma quantidade de farinha que eu usaria normalmente, senão o meu bolo ia ficar ruim... Experiência própria dela. “Ok, se você que é a cozinheira está me dizendo isso, não sou eu que vou contrariar né!”.

Ao invés de 3 xícaras de farinha acabou que colocamos uma xícara e meia, ou no máximo duas. E colocamos o bolo no forno. E passaram 30 minutos. E o topo do bolo já estava queimado, e nada do bolo assar. A Bilge (a cozinheira) tirou o bolo do forno, tirou a parte queimada de cima do bolo, jogou no lixo, e resolveu colocar o bolo de novo no forno. Mais 30 ou 40 minutos. E nada do bolo assar... Claro né! Tinha menos farinha até do que açúcar naquilo, era óbvio que não ia assar nunca!!! Acabamos desistindo e jogando tudo fora.

Sério, foi muito triste! Fiquei muito desolée. Queria fazer uma surpresa legal para a minha família, e no final só o que nós conseguimos foi sujar o forno inteiro (porque além de não cozinhar nunca, o bolo ainda estava vazando por baixo da forma – uma daquelas formas de torta desmontáveis).

Ok, né! Com muito esforço conseguimos dar uma limpada no forno, que em seu estado natural já é um forno nojento (e viva a higiene brasileira!!!). Mas como eu sou brasileira e não desisto nunca, resolvi que eu ia tentar fazer o brigadeiro. Alguma coisa tinha que dar certo!

No final, até que o brigadeiro ficou bom. Eu tinha encontrado granulado no supermercado, então ensinei a minha irmã a enrolá-los, o que foi bem divertido. Mas quando terminamos a “enrolação”, a Bilge “cozinheira” queria colocar meu brigadeiro no freezer. Aaaahhh, mas era só o que me faltava!!! Fui obrigada a bater o pé e dizer que não. (Mas tudo super amigavelmente, é claro!!!).

Na sexta-feira à noite fui dar uma espiada nos brigadeiros, e acho que se comeram um quarto do prato foi muito. Mas eu juro que estava bom. Acho que deve ser o paladar turco que não está tão acostumado aos doces brasileiros (super doces).

Sexta-feira

Sexta-feira foi o encerramento oficial do primeiro Camp, e por isso foi um pouco diferente dos demais dias da semana...

Cheguei na Universidade de manhã cedo, achando que ia dar aulas como sempre, mas acabou que passamos a manhã inteira trocando recadinhos entre interns e alunos.

Explicando: o Comitê Organizador do Camp (OC Team) colou na parede do auditório principal da Universidade um envelope com o nome de cada “professor” (intern) e um envelope com o nome de cada aluno. Então sexta-feira foi um momento mais de despedida mesmo, onde ficamos escrevendo recadinhos para os alunos e para os demais intercambistas. Tudo ao som de “Goodbye My Lover” do James Blunt. Very very sad!

No horário do almoço, algumas das mães dos alunos serviram pratos turcos típicos para os interns – borek, pide, dolma, etc. Uma delícia!

E durante a tarde fizemos um pequeno “Global Village” – cada país tinha uma mesa onde os interns deveriam expor coisas típicas da cultura local.

Gente, o stand do Brasil estava lastimável!!! Eu e a Fê tínhamos uma bandeira (que na verdade é a minha canga), e... Só. Juro. Esquecemos completamente de levar cartão postal, livros, artesanato...

Daí pra dar uma recheada na mesa e diminuir a nossa vergonha partimos mais uma vez para o clássico improviso brasileiro: a Fê colocou em cima da mesa um livro meu que ela está lendo (Zuenir Ventura e Luiz Fernando Veríssimo), colocamos nossas carteiras de identidade, ligamos meu laptop e colocamos uma playlist de axé pra tocar... Ah, e colocamos em cima da mesa também um protetor solar Nivea que eu tinha acabado de comprar (todo escrito em turco), para simbolizar que o Brasil é um país com muitas praias e sol. E uma manteiga de cacau, e uma medalhinha católica. Lastimável!!!

Mas é claro que com a animação e simpatia das brasileiras o nosso stand até que ficou divertido. Ufa!!!

Depois do Global Village fui pra casa – Hereke. Tomei um banho, arrumei as malas e voltei para Izmit, para a excursão do final de semana – West Black Sea Tour.

Mas a excursão é assunto para um próximo post!

Estou com saudades de tudo e de todos!

Beijos e abraços, amo vocês!

Si

2 comentários:

  1. Amiga, amei!! Adoro teu jeito "si"!! Mto legal voltares com tdo isso pra cá.. espero que isso engrandeça nossas segundas no divã!
    Aproveita mto, we miss u2!!

    Beijão
    Amandiinhaa

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  2. Si!! Estou mto orgulhosa por ter sido citada em um trecho do post hahaha
    Adorei todos os posts, como tu obviamente já sabe pq eu já falei isso mil vezes! Vou sentir saudades do blog, não desiste dele, usa pras próximas viagens, daí fica como um diário mesmo de cada viagem que tu fizer na vida. Pena que tu ainda não tinha tido essa brilhante idéia quando fomos pro UK. Mas tudo bem, teremos outras viagens together :)
    Falando em viagem, to indo mesmo pro Mexico na semana antes da tua formatura! A Maria vai tbm, daí vai ser bom pra eu não ficar ALONE enquanto a Amanda tiver no trabalho.
    Hm, comentários sobre este post: me matei de rir com a descrição da "barraca" dos brazilians teachers hahahaha principalmente quando tu citou a canga hahahahhahah
    É isso! Aproveita os últimos dias, aliás, quando tu volta? Estarei em Jlle por um bom tempo (depois te conto as news!).
    Beijossssssss smackkkk

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