(Ou em libras esterlinas, ou qualquer que seja a moeda mais valorizada do mundo atualmente).
Antes de começar a história motivadora do comentário acima, vou dar uma contextualizada. Ontem à noite, quando minha irmã me perguntou se eu gostaria de caminhar com ela e com meu pai hoje de manhã, eu disse que sim, e aproveitei para comentar que se possível eu gostaria de correr também.
A estranheza da situação já começa por aí: ter que pedir autorização para o meu pai e para a minha irmã mais nova para poder correr na rua – sendo que eles estariam junto comigo (porque fazer qualquer coisa sozinha aqui na Turquia, nem pensar!). Mas tudo bem, pedi, e ela falou que eu podia correr até a metade do caminho, mas que na volta deveria retornar caminhando com eles. Ok, it’s better than nothing!
Então hoje de manhã acordamos para a nossa caminhada/corrida matinal. Fui me trocar, e a minha irmã perguntou se eu não tinha outra calça que eu poderia vestir (no primeiro dia eu fui com uma legging preta na altura da batata da perna). Falei que não (o que é verdade), e perguntei porquê. A resposta dela foi: “because here in Turkey tight pants are not good for sports”.
(Pausa para indignação dos leitores)
Eu fiquei indignada com a resposta – por favor né, não subestima a minha inteligência. Pelo menos me fala qual é o real motivo do pedido! Então fiz a maior cara de burra e perguntei “AHMMM????” (com as sobrancelhas cerradas e movendo a cabeça para trás). Daí ela me deu um motivo “plausível”: “your pants are too tight, people will stare”.
Fiquei revoltadíssima, e por diversos motivos diferentes.
O primeiro, e principal, é a TPM. Eu admito.
Mas além disso, fiquei revoltada porque no primeiro dia que fomos caminhar eu usei aquela calça, perguntei se estava bom e ela falou que sim. Ou seja, era como se estivessem me tirando um direito que eu já tinha “adquirido”.
E fiquei revoltada porque a gente caminha as 8h da manhã, no vilarejo de Hereke, na beira do mar. Tirando o amigo do meu pai, que vai caminhar com o meu pai todo santo dia, nós não cruzamos com absolutamente mais NINGUÉM no caminho inteiro, nunca.
E fiquei revoltada porque poxa, é só uma calça preta de ginástica! Não tô mostrando peito, não tô mostrando bunda, ela não é transparente, é simplesmente uma legging de ir malhar. Não posso falar por todos os homens do mundo, mas 100% dos meus entrevistados para escrever esse post (ou seja, 1 homem) concordaram que leggings pretas de academia não são assim tãããooo sexys ou sugestivas quanto pernas ou peitos de fora.
Mas, como diz um dos meus amigos turcos, “what can I do sometimes?”... Me conformei né. Lá fui eu correr, em pleno verão, acompanhada do meu pai, do amigo dele e da irmã, usando uma mega calça de moletom, quente como o inferno, na bela cor azul turquesa. Sorte a minha que hoje está fresquinho aqui (24 graus Celsius). Mas se amanhã estiver o mesmo calor infernal do resto da semana, acho que vou fazer um motim, começar uma rebelião, sei lá. Ou só vou ficar em casa e dormir até mais tarde mesmo.
(Tá bom vai, brincadeiras à parte, não precisam se preocupar, ok? Eu vou sim usar as roupas que me mandarem usar, é claro que vou, não sou louca. Também fiquei com medo dos Apaches. Mas em pensamentos, sei que vou continuar me revoltando. Afinal de contas, não foi para isso que queimamos sutiãs na fogueira).
Tirando isso, a minha manhã e a minha tarde foram normais – reuniões, treinamentos e trabalho na AIESEC. E muita cereja (Duda, não se preocupe, eu já devo ter passado de 1kg de cereja fááácil).
By the way, descobri mais uma política inusitada da Turquia essa semana: aqui, o Youtube é proibido. Os AIESECers já nos ensinaram como acessar o site “ilegalmente”, mas se você simplesmente digitar www.youtube.com vai ver um aviso do governo dizendo que o acesso ao site não é autorizado.
Enfim... Por volta das 18 hrs fomos novamente ao mesmo pub onde foi a festa de sábado (aquele que aceita “jovens mulheres estrangeiras que mostram seus corpos”), dessa vez para assistir Eslováquia x Itália. Deu para descontrair, e já aproveitamos para empolgar a galera para o jogo de amanhã.
Cheguei em casa por volta das 21 hrs, bem a tempo de assistir o último capítulo da novela mais famosa da Turquia na atualidade. Se vocês pensam que novelas do Manoel Carlos são complicadas, é porque nunca ouviram falar dessa novela: a jovem (gold-digger de nome Bihter) casou com um velho rico, mas na verdade é apaixonada pelo sobrinho do velho, que por sua vez vai casar com a filha do velho (porque o sobrinho do velho não é sobrinho de sangue, é tipo sobrinho “adotado”). Além disso, tem um empregado do velho que tá doente, pela hora da morte, e que também é apaixonado pela filha do velho. By the way, o velho pediu o divórcio da Bihter, e agora a Bihter está ameaçando o sobrinho de contar tudo para a filha do velho (contar que ela teve contato físico com o sobrinho). O empregado faz então uma confissão para o velho no seu leito de morte, conta tudo (ou seja, conta que o velho é corno), e no final sei lá como ou porque, mas a Bihter acaba se suicidando. Very, veeery craaazy turkish soap opera!!!
Assistindo ao último capítulo da novela, minha mãe me perguntou como eu queria que fosse meu casamento. Contei, e falei que agora só faltava o husband. Então ela começou a falar (muuuito sabiamente) sobre homens e relacionamentos. Não vou escrever aqui o que ela me falou, pois considero que é uma sabedoria que só deve ser compartilhada entre mulheres (às interessadas, posso mandar algumas “quotes” via e-mail). Mas tenho que dizer que, mais uma vez, fiquei surpresa com a universalidade de certas coisas. Very, very impressive!
Bem, por hoje é “só” isso. Amanhã ou sábado tem post novo, pra contar como foi assistir a vitória (I hope) ou derrota do Brasil aqui na Turquia.
Morro de saudades de tudo e de todos!
Love you all!
Oi querida
ResponderExcluirQuero saber depois os comentarios de minha versao muçulmana.
Todas as mães desejam o melhor para seus filhos (não é chavão… é amor e carinho).
Se voces querem ter uma viagem mais light e serem menos notadas e visadas devem se adequar aos costumes locais. Imagine trabalhar com adolescentes que notam e criticam tudo e se destacar pela irreverencia? Seja no vestir ou no falar, melhor ser como eles por um tempo que voce vai ganhar mais a confiança.
Voce acha que as meninas nåo usariam tanga se com isso elas fossem admiradas? E por ai vai...
Para eles deve ser quase como é para voce dançar até o chão para ganhar a faixa de "esagostosa".
Não sou puritana, mas respeito as diferenças.
Compre mesmo umas roupas mais largas por ai e quando chegar aqui eu uso, hehehehehe.
Estamos vendo o jogo em pleno aeroporto de Jlle, coitadinho do seu pai!
Espero que voce vejam ai e se divirtam.
Querida, aproveite e traga muitas fotos.
Foi ver os tapetes? Quero relato completo : acho que vale um post inteiro no blog sobre o tema.
Quem sabe existe a veia jornalistica oculta em voce ? A minha ficou no passado.
beijos . te amamos muito, saudades
mamãe
Siii
ResponderExcluirDe tanto que eu gosto do blog tenho o "costume" de deixar acumular os textos da semana e me deleitar lendo de uma só vez no final da semana - no caso hoje, depois do jogo do Brasil, no conforto do sofá, meio que de olho no jogo da espanha X chile. Pois é, to super acompanhando a copa! hahahahaha
Bom, começando os comentários... como eu li tudo de uma só vez (de 2a a 5a feira), vou misturar trechos de diferentes posts, tÄAA?
Sobre as fotos do banheiro e das vestimentas da praia: AWESOME hein?? hahahaha que nojo... esse banheiro tem na tua casa? Assim desse jeito é inevitável uma constipaçãozinha básica hahahahaha Que Alá te livre dessa cilada...
As vestimentas eu já tinha visto em programas do tipo Fantástico mesmo, não me assustei, já imaginava... mas achei a cor beeem verão pelo menos hahahaha
Sobre a novela turca: me matei de rir com o roteiro.. é pior que mexicana então?
Sobre o trecho: "A minha suspeita é de que fumar e jogar gamão são as formas que os turcos jovens encontraram para sublimar a falta de álcool e de contato físico com o sexo oposto." Então quer dizer que fumar supre a necessidade de beber e jogar gamão supre a necessidade do contato físico com o sexo oposto??????? hahahahahahahahhah QUE SHOWWWW HEIN? Meu DEOS, somos abençoados neste país né? Simone, volta pra cá, ergue as mãos ao céu e beija o solo brasileiro assim que descer do avião...
Bueno, nem preciso dizer que eu quero que tu continue os posts diários né?? Me segurei pra não rir alto aqui enquanto o Betinho e meu pai veem o jogo (meu pai veio nos visitar essa semana).
AHHH, manda os sábios conselhos da mama turca pra nóXX... quero saberrrr!
Por hoje é só! Beijosssss, saudadesss
Opsss... a pessoa de nome JP sou eu, a LU!!! hahahahahahha
ResponderExcluirÉ que meu pai tá aqui, usou meu computador e eu não vi que tava logado com o nome dele.. enfim, não foi ele que escreveu o post acima!!! ahahhahaha
fui YOO
Sie!!
ResponderExcluiradorei o blog, e principalmente o puritanismo turco (sem falar na novela turca cm pitadas mexicanas).
dá uma vontade de te pedir pra sair cm um shortinho bem rala-c*, só pra família NBS causar na Turquia! ahaha nao nao, vamos respeitar as diferenças!
beijos pra ti e pros Apaches de plantão
Oiee!!
ResponderExcluirOntem encontrei uma amiga tua (que vai para a Indonésia, esqueci o nome!!) na festa da AIESEC e ela me contou sobre o teu blog!
Entrei agora e já li tudo, adorei as histórias (medo!!) e até me empolguei para fazer um blog também, postar minhas aventuras Ucrânianas já que, como você falou, é um ótimo jeito de guardar as memórias!!
Aproveita muito por ai e cuidado com as roupas alá brasileira, haha!!
Vou continuar lendo sempre!!
Beijos
Super me interessei pela sabedoria da mama turca!
ResponderExcluirse não for incômodo... estefania@virtualserv.com.br
Luuu!
ResponderExcluirTô adorando teus comentários, fico bem feliz de saber que tu tá gostando do blog!
Bom, respondendo às tuas perguntas: aqui em casa temos um banheiro normal (privada normal, pia, box, chuveiro, banheira) e um banheiro turco separado, tipo um “lavabo” (ahahahah) mas só com a privada. Só quem eu vi usar até agora foi a minha mãe turca. Vai entender!
Novela turca: hoje na aula, pra entreter mais as crianças, fizemos uma encenação: eu era a Bihter (a gold-digger) e o eslovaco era o “sobrinho” (não de sangue) do velho. Eles amaram! Ahahahahahah bem pior que mexicana!
Ah, esse final de semana vamos para uma night em Istambul. Tô aguardando melhoras nessa nightlife turca! Torça por mim!!!
Beijão, saudadessss!!!