quarta-feira, 23 de junho de 2010

A day at the beach!

Depois de muitos pedidos desesperados, de pessoas chorando e implorando por mais um post no blog... Vou contar a todos como foi meu dia na praia!!!

Acordei cedinho para me arrumar, e minha irmã saiu para caminhar com o meu pai no mesmo horário. Então na hora que eu fiquei pronta estávamos somente eu e minha mãe em casa, e ela (e seu inglês maravilhoso) olhou para mim, olhou para o meu shorts... Colocou a mão na minha coxa, na altura do shorts, e disse "no". Colocou a mão na altura do meu joelho e disse "this, better". E depois falou, muito sabiamente: "people look!!!".

O único problema é: eu só trouxe 2 shorts, ambos do mesmo tamanho, e uma mini-saia jeans (também no melhor "brazilian style"). Então negociei com ela (por gestos) que eu ia de calça jeans até a praia, e que só ia colocar meu shorts chegando lá. Ok, problema resolvido!
(Deixa eu ressaltar que os shorts que eu trouxe não são os famosos "rala-c*" brasileiros, e que quando perguntamos aos AIESECers turcos sobre roupas a resposta que nos deram foi: "Turkey is a free country and everyone can wear whatever they want". AAAAHAAAM, tá bom! Conta outra!!!).

Para variar, cheguei na AIESEC as 9h, mas só fomos para a praia as 10h. Foi 1h30 no ônibus, suando como uma condenada, com vários intercambistas fumando DENTRO do ônibus, como chaminés. Disgusting!

Enfim, chegamos na praia...

O nome da região é Kandira, fica ainda dentro da província de Kocaeli, e o nome da praia é Cebeci (a pronúncia é algo como "Xébxê"). É no Mar Negro. A água é realmente impressionante, azul e verde, muito bonito. A praia é bem suja, as pessoas jogam as coisas no chão e não estão nem aí. E a infra-estrutura em volta da praia é precária. Se fosse no Brasil, já teria tenda de água de côco, barzinho, vendedor de cerveja, restaurantes legais, etc. e tal... Lá só tinham algumas poucas tendinhas de madeira, tudo bem tosco. E o banheiro (público) era só de privadas turcas. Elas me perseguem!!! Ah, e a água do mar é muito gelada. Eu só me molhei até o joelho mesmo, só pra dizer que entrei no Mar Negro (eheheheheh...).

Agora, todo o evento "ir à praia" é um capítulo à parte.

Logo que chegamos lá, os AIESECers turcos foram procurar um "special place" para o nosso grupo. Tinha que ser afastado das outras pessoas, não podia de jeito nenhum ser no meio da galera. Daí nos instalamos, e eles já vieram avisar: "if you want to eat, or use the toilette, or drink something, DON'T GO ALONE, call us and we will go with you". Pensei "pô, que terrorismo né!".

Depois eles explicaram mais ou menos a razão: os Apaches. Os apaches são homens turcos do tipo "stalkers" - se vêem uma mulher sozinha, vão atrás dela, ficam enchendo o saco, e são capazes até de estuprá-la. Segundo minha irmã e a prima dela, eles são pessoas que não tem dinheiro, mas fingem ter, compram roupas falsificadas para dizer que usam roupas de marca (fake Adidas, etc.), usam a camisa aberta até a metade do peito, com mega correntes de ouro aparecendo, e ouvem tunts-tunts e dançam de um jeito bem típico. Ah, e segundo elas também, eles geralmente são curdos.

Fiquei pensando um tempo sobre essa descrição deles. Engraçado como, com apenas pequenas mudanças, o estereótipo se encaixaria em outros países perfeitamente. A diferença é que no Brasil, pelo menos do meu ponto de vista, as mulheres não tem esse medo todo de serem estupradas. E também não tem nada a ver com ser curdo, ser turco, ser armênio ou whatever. Por exemplo, para ir da praia até a tendinha de água, tive que chamar um homem para me acompanhar - eram menos de 500 metros de distância, era dia, estávamos na praia!!! E quando contei isso pra minha irmã e pra minha prima, elas falaram que estava certo, que tem que ser assim mesmo. Assustador!

As roupas também foram outro capítulo à parte.

Na Indonésia a religião predominante também é muçulmana, e tem 3 meninas da Indonésia aqui em Kocaeli (por sinal, muuuito queridas). Apesar de estarem de biquíni, nenhuma das 3 tirou a roupa. Uma delas, inclusive, falou que ia entrar no mar de shorts, porque depois ela tinha um outro shorts seco para trocar. Weird!
Os biquínis, em geral, eram normais na parte de cima, mas gigantes na parte de baixo (alguns tão grandes que chegavam a ficar "empapados" na bunda). Acho que tirando os biquínis brasileiros (of course), o mais descoladinho era o da Ucraniana safada (OF COURSE!).

E o traje muçulmano das mulheres turcas... Bom, só mesmo com foto para vocês entenderem o que é:



É raríssimo que alguma menina da minha idade use isso, é mais para as mais velhas e conservadoras mesmo. Vimos algumas mulheres com esse traje na praia, nadando com seus filhos ou debaixo do guarda-sol mesmo, e eu até tentei bater fotos escondida, mas não deu certo. Reparem que do joelho para baixo a vestimenta é destacável. Fiquei pensando no porquê. Será que alguém realmente acha que só isso vai ajudar uma mulher que está inteiramente coberta por uma roupa de neoprene, na praia, no calor de 35 graus, a se refrescar? I guess so.

As atividades de praia também eram bem diferentes das brasileiras. Tirando eu, a Fê e a Ucraniana safada, ninguém ficou torrando no sol. Os chineses levaram um baralho de Monopoly (tipo Banco Imobiliário em cartas) e ficaram jogando por horas. Outras só ficaram sentadinhas conversando. E os meninos ficaram jogando futebol - acho que isso é universal - e enchendo o nosso saco para entrar na água (nos ameaçando com garrafinhas de água, fazendo guerrinha, etc.). Acho que isso é universal também.

Ah, esqueci de falar uma coisa: para nossa sorte, em pleno verão, nessa cidade que faz 30 graus as 8h da manhã, nós conseguimos ir para a praia exatamente num dia de CHUVA! Me desculpem pela boca suja, mas é de cair o c* da bunda mesmo! Pegamos uma rápida chuva de verão no meio da tarde, e lá pelas 17hrs o tempo começou a fechar de vez, então tivemos que encerrar nosso dia na praia mais cedo. Uma pena!

Meu saldo final foi um torrãozinho de leve (mesmo passando FPS 30 no corpo todo), porque afinal de contas eu sou praticamente descendente de poloneses (reparem na brancura assustadora das minhas pernas nas fotos do Orkut).

Cheguei em casa podre, e como era de se esperar, sem condição alguma de fazer um post legal. Sorry pelo atraso!

Hoje foi um dia normal: acordar cedo, reunião e trainings na AIESEC, preparação das apresentações de semana que vem, etc. e tal. Detalhe importante: para aqueles que acham que eu vou dar aulas para crianças, descobri essa semana que na verdade meus alunos serão adolescentes de 15 a 18 anos!!! Mas acho que é mais fácil assim mesmo, afinal de contas, quem me conhece sabe como eu sou jeitosinha com criancinhas, eheheheheh...

A única coisa de diferente no meu dia de hoje foi que saí com a minha irmã e com a minha prima. Fomos a um bar no seaside, tomar chá turco e conversar. A prima tem 20 anos, mora em Istambul e estuda Direto. Tem o cabelo platinado, usa decote, bebe, fala merda, e parece ter a cabeça bem aberta. E fuma como uma condenada. A minha suspeita é de que fumar e jogar gamão são as formas que os turcos jovens encontraram para sublimar a falta de álcool e de contato físico com o sexo oposto. E que talvez essa agressividade dos Apaches também venha da falta. I don't know, it's just a theory.

Anyways, amanhã combinamos de ir ao mesmo bar para fumar narguilé, que é mais uma das tradições milenares turcas. E mãe, antes que você diga que eu estou dando um mal exemplo para a minha irmãzinha, fique sabendo que a sugestão foi delas, ok? E eu e a Fê estamos buzinando no ouvido dos turcos desde segunda-feira sobre o jogo, então acredito que na 6a iremos a um pub para assistir ao jogo em grupo e tomar uma cervejinha, oba! (eu mereço!).

Aguardem cenas do próximo capítulo!

Parabéns a todos que se deram ao trabalho de traduzir o recadinho em turco, aguardem que o presente chega no final de Julho.

Amo todos vocês, e estou com saudades!

Beijos,

Si

7 comentários:

  1. Siii

    mil desculpas pela demora pra me manifestar aqui no blog, mas saiba que eu to lendo quase todos os dias os teus posts. Essa semana deu uma atrasadinha e eu confesso que pra colocar em dia as minhas leituras levei praticamente o tempo que eu vou levar estudando pras duas provas de toxicologia que eu tenho amanhã. Mesmo assim to fazendo a minha lição de casa direitinho, ainda que sem fazer muitos comentários. Por aqui tá tudo na maior correria. Pra você ter uma idéia, nos próximos 5 dias eu vou ter básicas 8 provas ferradíssimas! Enfim, faz parte né! Assim que sobrar um tempinho (provavelmente nesse fds) eu respondo o teu email com calma, ok?
    Alguns comentários:
    1 - to adorando saber de tudo com tantos detalhes, continue assim! hahaah é divertidíssimo saber como a gente tem tanta coisa em comum e ao mesmo tempo tanta coisa diferente com outras culturas
    2 - preciso te pedir uma coisa, come um kilo de cereja por mim? ADÓÓÓGO :)
    3 - e a privada turca? Clap Clap. Totally in! hahahah

    seni seviyorum! (google tradutor, obviamente)

    nostalji! (acho que nem deve existir ponto de exclamação aí hahah)

    öpücük (;*)

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  2. Watch your mouth!
    Veja la o linguajar afinal voce está em uma cultura muuuiiiito diferente.
    pelo visto não vou ter filha casada com nenhum turco, isso já é um grande alivio e aposto que a Claudia concorda comigo.
    Compre uma bermuda ai em vez de usar esse negócio mínimo. Estou adorando sua mãe e seu pai turcos afinal alguem vai colocar um pouco mais de limite, hehehehehe.
    Querida estamos com saudades.
    Hoje vou atras das lojas para ver o tal cristal swarovsky (ou seja lá como for que se escreve).
    Sempre soube que voce tinha vocação para cinderela.
    Amanha vou a SP bem na hora do jogo e vejo o tal sapato dourado, beijinhos amamos voce muito e estamos com saudades.
    As cãs mandam lambidas e o Sigmund Freud também.
    mamãe

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  3. Oi Simone
    Estou adorando ler o teu blog!
    Concordo com a observação da Jane acima.
    Eu já estava preocupada com as roupas da Fê antes de ela sair daqui, imagine agora.
    Cuidem-se e sigam o conselho da Jane, comprem um bermudão e não dêem mole - a cultura deles é bem diferente da nossa.
    beijos

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  4. Sii

    Com relação a roupa no joelho.. sinceramente, nao acho que a população se preocupa se as mulheres passam calor ou não. Acho que diz mais respeito a uma parte do corpo nao tão obscena.. Não sei como é aí, mas na Malásia e na própria Indonésia a cultura é aaaaaaltamente machista (não consigo classifica-la em graus, mas é bastante), e imagino que por aí seja igual..
    Bizarre, hãm??
    E continue pegando sol e fazendo suas coisas, afinal, isto ainda está longe do plano de ser a queridinha e educadinha da AIESEC! :)
    Ah, u got mail! Quando tiver tempo, as always..

    Beijão!

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  5. Te cuida aí, oh, não dá bobeira!
    Beeijos

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  6. Mãe e Cláudia:

    Não se preocupem! Eu e a Fê reclamamos bastante (acho que é da nossa natureza mesmo), mas sempre que vamos fazer alguma coisa (comer, passear, etc.) nós chamamos um dos meninos para irem conosco. E também estamos super comportadas em relação às nossas roupas. Mas a revolta tem que ser sublimada de alguma forma, nem que seja via posts de blog, right?

    Beijinhos e até mais!

    Si

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