domingo, 27 de junho de 2010

Teşekkür ederim!

Oi pessoas! O post de hoje vai ser um resumo do meu final de semana, que não teve muitos acontecimentos emocionantes... Dessa vez é só pra mantê-los informados mesmo.

Sexta-feira:

Mais um dia normal de trabalho / reuniões / treinamentos na AIESEC. O único “acontecimento” do dia foi o jogo do Brasil (eu sei que eu não entendo porcaria nenhuma de futebol, mas não achei muito emocionante aquele jogo não).

Por volta das 16 horas (10 horas no Brasil) já estávamos eu, a Fê, a Maísa, a Ana e a Susy (3 brasileiras de Goiânia) prontíssimas para o jogo – uniformizadas, com todas as tarefas do dia terminadas, só esperando o pessoal se mexer (afinal de contas, já é fato conhecido de todos a enrolação dos turcos da AIESEC). A Fê, muito paciente que é, das 16h às 16h30 já tinha soprado a vuvuzela dela no ouvido de 90% do office, e quase dava pra ver a fumacinha de raiva saindo da cabeça dos turcos.

Deu 16h15, 16h30, 16h40, 16h45, e ninguém se mexia... Então resolvemos arrastá-los pro pub à força mesmo. Aqui na Turquia isso é muito fácil: foi só sair na rua e fingir que cansamos de esperar, e que estávamos indo sozinha pro pub de qualquer jeito. Andamos aproximadamente 50 metros sem olhar para trás, e quando olhamos (antes sequer de chegar na esquina) já tinha um coitado da AIESEC nos seguindo – porque é óbvio que eles não iam deixar as 5 brasileiras uniformizadas irem sozinhas para o pub.

(Aqui eu faço uma pausa para ressaltar novamente a “surrealidade” do relato: ter que arrastar um homem à força para um pub, para assistir um jogo da copa e tomar cerveja, numa sexta-feira as 17h da tarde? Isso não existe!!!)

Sobre o jogo em si não vou me dar ao trabalho de comentar, pois todos sabem como foi. O legal mesmo foi ver os outros intercambistas uniformizados (um dos meninos da Indonésia foi de verde e o outro foi com uma camiseta escrito “Brazil”), todos torcendo junto com a gente, muito provavelmente de tanto que enchemos o saco de todo mundo a semana inteira. Achei massa!

À noite em casa tive mais um daqueles momentos que sozinhos fazem um intercâmbio inteiro valer à pena. Ficamos eu, minha mãe e minha irmã conversando sobre Brasil, Turquia, religião muçulmana e relacionamentos (a minha irmã na verdade era mais a tradutora mesmo).

Minha mãe queria saber por exemplo como funciona a questão de “give girl” e “take girl” no Brasil – porque aqui, por exemplo, se você tem uma filhA, quando ela se casa você está “giving a girl”, e se você tem um filhO, quando ele casa você está “taking a girl” (no caso, a nora). Bom, tirando as novelas de época da Globo, nunca ouvi ninguém usando essas expressões, eheheheh...

Ela ficou impressionada quando eu falei que no Brasil era frequente que um casal morasse junto sem estar casado, e ficou uns 20 minutos tentando entender como é que funcionava a questão de “casar na Igreja” X “casar no papel”. E me perguntou qual dos dois casamentos que era mais importante. Tough question! Também perguntou como é que funcionava a questão de casamento em religiões diferentes, se era permitido ou não...

Outra pergunta que ela fez foi se no Brasil homens e mulheres eram iguais. Falei que sim. Falei que ainda existia discriminação quanto à mulher, mas que em geral homens e mulheres eram iguais – mulheres podem estudar, trabalhar, enfim, fazer o que bem entenderem. E a resposta dela foi a que todos imaginam: aqui na Turquia não é assim, as mulheres aqui são inferiores aos homens.

Ela explicou que existem vários “tipos” de muçulmanos (mais de 10), e que o “tipo” dela era mais liberal – ela trabalha fora, não usa véu, minha irmã estuda fora também, tudo bem normal. Mas que tem outros “tipos” que não deixam as filhas estudarem, que as fazem usar véu e se cobrirem, e que não as deixam sair de casa direito, que as deixam em casa esperando por um marido.

(Só pra ilustrar, estávamos tendo essa conversa no quarto que eu divido com a minha irmã, e quando meu pai chegou em casa a minha mãe fechou a porta do quarto, obviamente porque ela não queria que ele ouvisse o papo que estava rolando ali dentro).

Bom, acho que não cabe aqui ficar filosofando sobre essas questões, só queria contar um pouquinho porque foi uma conversa muito interessante mesmo, acho que essa troca de experiências e culturas é a coisa mais rica que um intercâmbio desse tipo (em host family) pode proporcionar. O mais importante é sempre manter a cabeça bem aberta!

Quanto à mim... A minha mãe me acha super moderna porque eu moro sozinha há alguns anos, faço duas faculdades, tenho um carro, viajei sozinha para cá... Quando ela perguntou se eu morava sozinha ou with friends eu só dei graças à Deus (ou Allah) por “friend” ser um substantivo sem sexo definido. Porque se ela soubesse que eu moro com um amigo acho que ia ficar horrorizada!

Ah, ela pediu desculpas por ficar controlando as minhas roupas, e fez aquele discurso de mãe: é só para te proteger, é para o seu bem. Ok, eu sei, eu aceito.

E mãe, ela não se conforma sobre como é que você me deixou vir sozinha para a Turquia. Ela já fez a mesma pergunta umas 4 ou 5 vezes, sem exagero! Às vezes eu acho até que ela deve te achar “desnaturada”, eheheheh...

Bom, de legal na sexta-feira, foi só isso. Seguindo adiante...

Sábado:

(A Simone adverte: a descrição à seguir é “kinda boring” e provavelmente só vai entreter a minha mãe, a Cláudia mãe da Fê e a Miriam mãe da Bruna, então quem quiser pode pular que não ficarei chateada).

Hereke (a vila onde eu moro) é conhecida na Turquia e no mundo pelos tapetes que são produzidos aqui, que chegam a ser considerados os melhores do mundo. Então no sábado de manhã fui com o meu pai e com a minha irmã visitar a principal loja/fábrica de tapetes daqui. É realmente impressionante!

Na parede da sala principal tinha vários quadros de fotos, como se fosse um “Hall of Fame”: o dono do local com pessoas como o Papa João Paulo II, o Papa Bento XVI, George W. Bush, Bill Clinton... Só para citar alguns.

Ali mesmo no hall de entrada tinha 3 moças fazendo tapetes. Tive a sorte de ver uma delas fazendo um tapete de 1.156 nós por CENTÍMETRO quadrado, que foi considerado o tapete com a maior quantidade de nós por cm2 do mundo (tinha até uma plaquinha no “tear” dela). Infelizmente é proibido tirar fotos lá dentro, mas só posso dizer que foi uma das coisas mais bonitas e impressionantes que eu já vi na minha vida – o nível de perfeição, de detalhamento, as cores, é realmente muuuito lindo.

Os tapetes mais finos que elas fazem ali levam cerca de um ano para ficarem prontos (100% pure silk, handmade). Elas também fazem outros tipos mais simples (wool and silk e cotton and wool), mas depois que você vê aqueles tapetes de seda maravilhosos, esses outros tipos não tem nem graça. E é realmente um trabalho árduo, que pode sim cegar a mulher. Mas a minha irmã explicou também que é uma tradição muito forte, e que além de fazerem isso pelo dinheiro elas fazem pela tradição mesmo, fazem por gosto. O site do local é www.hanhali.com, para quem tiver mais interesse em ler sobre isso.

(Mãe, tá aí a sua descrição detalhada. Aos outros, podem voltar a ler! Acabou a “boring stuff”).

De lá fomos para Izmit, onde pegamos o seabus para atravessar o mar de Mármara e comer waffles do outro lado de Kocaeli, em um lugar que a minha irmã tinha ido na semana anterior. (Tá, eu sei que waffles não são nem um pouco turcos, mas ela queria ir e eu é que não ia negar, né! Muuuito bom!).

Depois encontrei o pessoal da AIESEC e fomos novamente ao seaside, naquele mesmo lugar em que não se pode pedir cervejas. Em compensação eles nos apresentaram mais um dos costumes turcos: narguile. Foi um programa bem legal. Ficamos algumas horas por lá fumando narguile, falando besteira e ensinando xingamentos em turco, português, tcheco e esloveno uns aos outros (programa clássico de intercambistas, eheheheh...). Enquanto isso, o Artun (aquele que nunca sorri nas fotos) ficou batendo fotos “artísticas” da galera – vejam no meu orkut.

Alguém perguntou de novo porque é que era proibido vender cervejas ali. A resposta de um dos turcos foi: “the answer for that question you can hear five times a day on speakers all over the city”. Para quem não sabe, é a quantidade de prayers diárias, que realmente são transmitidas em auto-falantes nos postes, pela cidade inteira. A primeira entre as 5 e as 6 horas da manhã, e a última por volta das 23hrs.

Tem gente que vira pra Meca e estende seu próprio tapete no chão, tem outros que se ajoelham em cima de pedaços de cartolina, e tem outros que simplesmente ignoram e continuam fazendo o que estavam fazendo (por exemplo, minha família).

Bom, depois da sessão “narguile”, o resto do sábado à noite foi em casa mesmo, na internet e vendo TV. Seguindo adiante...

Domingo:

O domingo foi realmente beeem parado.

Meus pais foram passar a tarde na casa da minha avó, e minha irmã foi para Izmit passear com uma amiga. E eu dessa vez preferi ficar em casa, terminando trabalhos da AIESEC e descansando um pouco (já que amanhã começa a maratona de aulas para os adolescentes).

O legal foi a janta: meus pais trouxeram do mercado vários peixinhos bem pequenos, que sem cabeça tinham por volta de 10 a 15 cms, e um vinho (merlot chileno, bem gostoso). O “preparo” do peixe é simples: é só fritar eles na frigideira, com cauda, pele, espinha e tudo que se tem direito (exceto a cabeça... Ufa!).

Eu, bem inocente, fui ajudar a servir a mesa e coloquei garfo e faca para todo mundo. E fui a única que sequer encostou na tal da faca! Quando a minha mãe me viu tentando tirar a micro-espinha do micro-peixe com garfo e faca, caiu na gargalhada. Eles pegam o peixinho com a mão, abrem ele no meio e arrancam a espinha com a mão mesmo. E realmente, é bem mais fácil. Mas faz uma sujeirada imensa. O peixinho é bem saboroso, e não precisa de tempero nenhum. E o vinhozinho, não preciso dizer que caiu super bem.

Bom pessoas, sobre o final de semana é só isso. Amanhã é meu primeiro dia de aula com os adolescentes, so wish me luck, ok? Se der já faço amanhã mesmo um post contando como foi.

Beijos e abraços, morro de saudades!

Si

6 comentários:

  1. Oi Simone
    Acertou!
    ADOREI a nada boring observação sobre os tapetes e já entrei no site para dar uma espiada. Aliás, quando eu for à Turquia este será o item no. 1 das minhas compras !!
    (Tenho a impressão que se esta tua mãe turca vier te visitar no Brasil ela nunca mais vai querer saber de voltar!)

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  2. Mas, mas, mas.. mas e eu?? Fala pra ela que vc mora com o namorado da sua amiga e q ele é completamente apaixonado pela sua amiga.. :)
    Será que ajuda?? hahaha
    Beijo Si.. Me divirto muito lendo seu blog!!

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  3. Oiee!! To adorando o teu blog, e todas as informações são interessantíssimas!!
    :P
    Nada boring..
    Beijão

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  4. Oi linda! Acho que a parte dos tapetes vale ate um especial na GNT. Nem uma fotinho? Ja pensou que legal, voce escrever um blog dos seus intercambios? Vai ser a adventure girl intercambios, hehehe.
    Sobre como eu te deixei voce pode dizer a ela que ela pode deixar a sua irma vir aqui tambem que eu garanto que vou cuidar dela tao bem quanto e que ela vai correr muito menos risco do que ela imagina que voce possa correr ai.
    Diga que aqui a gente acaba se acostumando a ver os filhos criarem suas proprias amizades e caminhos e que nos sempre educamos voces para isso: independencia, julgamento proprio, iniciativa, coragem etc etc e que o medo é compensado pela satisfacao em ver que voces crescem e viram pessoas legais.
    Também nos temos aqui o priviliégio de uma sociedade mais organizada, controlada e que somente em áreas muito abandonadas existe esse risco e medo que elas tem ali: de gangues, assaltos, estupros. Mas as pessoas conseguem evitar esses locais e viver de forma razoavelmente tranquila mesmo que com carros blindados e segurança em cidades como SP e RJ.
    Conte a ela que quando eu fui a Teresina ha mais de 30 anos tambem ouvi as mesmas perguntas da mãe da familia onde eu estava que não se conformava de ver que nós viajavamos sozinhas em 3 meninas.
    Concordo com a Claudia, se ela viesse aqui não teria vontade de voltar.
    Esses momentos valem a viagem.

    aproveite muito e convide os a vir conhecer o Brasil que serão muito bem recebidos

    beijos

    mamãe

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  5. Siii

    só passei pra dizer que eu continuo lendo todos os teus posts, mesmo com 65 mil provas diárias e que não achei nada boring a parte dos tapetes :)
    Ah, o teu email urgentíssimo eu to respondendo agora e o outro que é um pouco mais filosófico eu respondo quando fizer o próximo intervalinho nos estudos, ok?

    Saudade gigante!

    Beijão

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  6. Siiiiiiiiiiiii, eu tb sempre leio teu blog! De vez em quando até releio!
    Amore, a facul acabou de vez, passei em tudo, sem rec, claro, haha! Agora só esperar o dia em que estaremos juuuntos pra pegar o canudo!
    Eeei, esse fds eu senti MUITA falta tuuua, mais do que de normal, pessoinha importante! ;)
    A gente foi pra Rancho Queimado na casa do Zaleski e tava demaaais, vou colocar algumas fotos no FB, e tava todo muuuundo em casal e eu segurando vela. Na hora pensei: Ah se a Si estivesse aqui! ehehehehe! Posta mais, como foi a semana com os aborrecentes?
    Beeeijoos

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