Caros leitores e leitoras (me sinto muito pretensiosa escrevendo isso),
Quero pedir milhares de desculpas pela minha demora em fazer esse post, mas essa semana foi super corrida aqui na metrópole turca de Kocaeli. Essa é a minha última semana aqui, e por isso diversos fatores tomaram meu tempo: a correria do trabalho, a necessidade de ir atrás das últimas comprinhas, a vontade de aproveitar ao máximo os últimos momentos...
E acabei negligenciando o blog, eu admito. Mas agora estou aqui de volta, pronta para escrever mais um capítulo de bíblia. As always!
Bom, começando pela sexta-feira passada...
Se no jogo do Brasil x Portugal a Simone e a Fernanda já estavam super agoniadas e incomodando Deus (ou Allah) e o mundo para ir para o pub, então imaginem como estávamos empolgadas para o jogo Brasil x Holanda, né?
Dessa vez decidimos que não íamos esperar ninguém: mal deu 16 horas e já pegamos o caminho do pub. Mais uma vez, lá estávamos nós entrando na portinha “escondida” e subindo os 5 lances de escada para chegar no único pub que nos aceita na cidade. Sendo encaradas all the way up, of course.
Bom, to cut the story short, como todos já sabem, foi super triste. No Brasil mesmo eu imagino que tenha sido quase um dia de luto nacional (palavras da Cláudia!). Maaas por outro lado, a Simone e a Fernanda estavam suuuper empolgadas, achando que teriam uma noite super emocionante.
Explico melhor: no sábado as 07h00 deveríamos pegar o trem de Izmit para Istambul. Mas acontece que em nossas cidades não teríamos ônibus saindo tão cedo (eu por exemplo teria que pegar o ônibus as 06h00, o que não existe aos sábados), e então um dos AIESECers – o Artun – se ofereceu para nos hospedar. E era aniversário dele. E, nas palavras dele, “sleep at my place, but the only problem is that we might arrive home late, because it’s my birthday”.
Então não preciso nem descrever qual era a nossa empolgação, right? Finalmente, uma festinha legal! Uhul!!!
Ou não... A super comemoração de aniversário do menino (que estava sozinho em casa) foi tomar duas cervejas no pub durante o jogo, e fazer um super “after” numa lanchonete, comendo kebab e tomando chá turco. E “chegar em casa tarde” foi algum horário entre 23h00 e 00h00... Weird, weird, weird turkish people!!!
Mas, como já dizia o slogan, “eu sou brasileira e não desisto nunca”. E, como eu disse no post anterior, os turcos haviam nos prometido que nos levariam para uma balada em Istambul no sábado à noite... Então eu ainda tinha esperanças de conhecer a noite turca.
Depois de um dia inteiro andando de um lado para o outro, fomos jantar na região de Taksim. Naquele mesmo local estava acontecendo o Festival de Verão de Istambul, e por isso no nosso caminho passamos por uma multidão de pessoas nas ruas, bebendo cerveja e assistindo a shows ao ar livre.
Enquanto caminhávamos, o Artun falava algo do gênero “girls, get ready to see the real Istambul night life”. E a expectativa ia aumentando by the second. Até nós chegarmos no SUUUPER night club que os AIESECers escolheram.
Nome: She-Va. No andar térreo, uma cantora folk turca pessimamente afinada. Subimos mais ou menos 3 andares (qual é a dificuldade desses turcos em fazer pubs e baladas térreos?), e chegamos no tão esperado local. Um salão praticamente vazio. E já era quase meia-noite. No canto, uma mesa com um gordinho estranho, nos seus 50 anos, dançando de um jeito que lembrava o Fofão.
Na hora em que viram aquilo, todos os interns (e principalmente as brasileiras) fizeram a maior cara de bunda já vista no mundo. Era melhor ter ficado no meio da rua mesmo! A maior festa rolando lá fora, e a gente confinados naquele shitty place? WTF! Todos sentaram nas mesas e começaram a reclamar. E enquanto isso, os turcos fingindo que estava tudo bem, que era super legal, e tentando puxar todo mundo para dançar em uma rodinha ridícula de 3 pessoas.
Até que o James (americano com a maior cara de almofadinha ever) foi falar com o Artun, para voltarmos para o Hostel e passarmos a noite no próprio pub do Hostel mesmo (que por sinal, estava super animado quanto saímos). Diz o Artun: “no, we’re staying here until 2 am”. Não sei porque diabos, mas tá bom né.
Até que uma abençoada alma viu, por acaso, que havia ainda mais um lance de escadas, e que existia mais um andar naquela balada (sim, mais um andar ainda) – ou, em outras palavras, encontramos luz no fim do túnel!. E descobrimos que, no último andar, estava rolando a maior night, com música boa, terraço aberto, fresquinho, vááárias pessoas... Claro que fomos, pouco a pouco, debandando para o último andar.
Sem exagero: estávamos todos os 20 interns dançando, felizes e contentes, começando a aproveitar as suas noites, e não deu nem 15 minutos até que os turcos subissem. “Guys, come on, we’re leaving”. Mas porque??? Porque segundo eles, “it’s too crowded in here”. UNBELIEVABLE!!!
Primeiro, quando pedimos para ir embora, não podíamos. Então, quando começamos a aproveitar o local, passaram 30 minutos e tivemos que ir embora. Ah, é de cair o ** da bunda mesmo!!!
Passamos novamente por várias ruas agitadas, com bares lotados e música boa, e novamente entramos em um bar, novamente subimos vários lances de escadas e novamente fomos parar em uma sala vazia.
Àquela altura do campeonato a revolta de todos os interns já estava escancarada. Acabou que ficamos nesse segundo lugar por mais 20 minutos e resolvemos ir embora para o Hostel. Não sem antes pedir várias vezes para voltarmos para a primeira balada. E não sem antes ouvirmos “não” e mais nenhuma explicação plausível.
Uma coisa é falar que você não deve andar sozinha na rua à noite, na cidade de Kocaeli, usando roupas curtas e decotadas. Até aí, tudo bem. Outra coisa é não permitir que 20 interns, todos maiores de idade e responsáveis, fiquem dançando juntos em uma night em Istambul.
Isso já é passar do “proteger alguém” para o “subestimar a inteligência de alguém”. Eles realmente acham que as meninas vão simplesmente ir embora escondidas da balada com algum Apache que nunca viram na vida? Ou que os meninos vão aceitar bebidas de estranhos, desmaiar no banheiro e ter seus rins roubados? Give me a break!!!
Mas tirando a parte totalitária e ditadora dos AIESECers turcos (que inclusive foram apelidados pelos interns de KGB), a viagem para Istambul foi super legal.
Ficamos em um Hostel na região de Sultanahmet. Recomendo, a região é ótima, é lá que estão a Mesquita Azul, a Aya Sofia e o Grand Bazaar, atrações turísticas imperdíveis da cidade.
Como já era de se esperar, nenhuma das meninas estava decentemente vestida para entrar em uma mesquita (em Istambul fazia um calor infernal). Mas na entrada eles distribuem pedaços de pano (tipo lençóis) para as mulheres se cobrirem. Um para as pernas, um para o colo. E sacolinhas para guardar os sapatos. Por dentro a Mesquita Azul é muito linda, gigantesca e impressionante.
Aya Sofia (ou Hagia Sophia) é o nome de uma antiga igreja católica (de 360 a 1260), que depois se tornou mesquita (de 1450 até 1930) e hoje em dia é um museu. O mais interessante do local é reparar na mistura: símbolos gigantescos de Allah nas paredes, e imagens de Jesus Cristo e Maria no teto. Super legal. Um pouco mal conservado, e achei a entrada meio abusiva (20 turkish liras, sem desconto para estudante). Mas tudo bem, vai.
Grand Bazaar: é um imenso “galpão” (bem-estruturado) com várias lojas dos mais diversos produtos turcos. É impressionante a quantidade de joalherias, e a extravagância das jóias (uso a palavra num sentido negativo, porque na maioria das vezes tornam-se jóias bregas e de mau-gosto). Anyways, acho que nisso as esposas turcas devem ser bem tratadas! As demais lojas tinham todas a mesma coisa: uma infinidade de olhos turcos, cerâmica, lenços, narguiles, sapatos estranhos, roupas de dança do ventre, chapéus de abu (o macaquinho), entre outros.
E o “negociar” é um capítulo à parte. Como já tínhamos tido a experiência no Marrocos, já sabíamos que era uma tradição, algo normal nas lojinhas do Bazaar. Mas se os turcos tem fama de pão-duro, descobrimos ali que não era à toa. Eita povinho difícil de negociar! No Marrocos era só virar as costas que vinham atrás de ti com um preço melhor. Ali já era um pouco diferente.
E é claro que mesmo barganhando, você sempre sai do local com a certeza de que fez um mal negócio e de que foi passado para trás. E é muito provável que você esteja mesmo certo. No final das contas, quando negociando com árabes, o preço bom varia de pessoas para pessoa, e se resume ao quanto você está disposto a pagar por algo.
Além desses locais, visitamos também dois palácios: O Palácio Dolmabahce e o Palácio Topkapi.
O Dolmabahce era o palácio onde viviam os sultões da Turquia, e depois onde viveu Ataturk (herói da libertação nacional). Impressionante, pelos lustres maravilhosos de cristais ingleses ou de cristais Baccarat franceses, pelo pé-direito de 40 metros, pelos tapetes gigantescos (os mais bonitos eram feitos em Hereke), adornos de ouro nas escadas, um jardim lindo, na beira do Estreito de Bósforo... Lindo demais.
E o Topkapi também é lindo. Também foi residência dos sultões. O mais impressionante eram as salas cobertas de azulejos maravilhosos, com detalhes em madrepérola, os jardins imensos e super agradáveis, e uma exposição de roupas de sultão super antigas (tipo 600 d.C.) e jóias maravilhosas. Ah, e novamente, uma vista do Estreito de Bósforo de tirar o fôlego.
Comentário à parte: nos dois palácios existem os Harems - as áreas onde os sultões ficavam "hanging out" com suas dezenas de esposas. Me senti num dos contos de "Mil e Uma Noites".
Aos interessados em visitar a Turquia, so far eu suuuper recomendo.
Terminamos a nossa viagem no domingo com um passeio de barco de 2 horas pelo Estreito. Muito lindo! E rendeu aos interns (principalmente à Fê) um torrãozinho básico. Pra mim, só uma leve náusea.
Ah, uma coisa legal que fizemos antes do passeio de barco: comemos um lanche típico turco (cujo nome eu não me lembro), mas que é um pedação de pão com alface, cebola e um peixe praticamente inteiro, pescado ali mesmo no Estreito. É muito engraçado: as mesinhas e cadeiras ficam em terra firme, e o “restaurante” fica dentro de um barco, no mar mesmo. Então eles estão pescando, fritando e vendendo o sanduíche em “alto-mar”, e aqueles barcos chacoalham MUITO. Fiquei tonta só de olhar para eles... Então imaginem o pobre coitado que passa o dia inteiro fritando peixe no balanço do mar.
O lanche em si até que é gostoso, mas tem algumas coisas que não dá para entender. Por exemplo: custava tirar a espinha do peixe? Sério, meu sanduíche (e de mais alguns interns) veio premiado com uma espinha de peixe gigante dentro. What’s the matter with you people? Bom, de qualquer forma, é uma experiência interessante para os mais”aventureiros”.
E um comentário: que saudades do sistema ferroviário Europeu... Nosso trem de Istambul a Hereke fedia, era quente como o inferno, e tinha uma quantidade imensa de pessoas viajando de pé, ou sentados no chão naquele espaço entre os vagões. Situação precária mesmo!!!
Termino meu post por aqui, porque já são 3 da manhã nessa parte do mundo. Espero ter tempo amanhã para mais um post contando sobre a semana que passou e os planos para o futuro. Veremos!
Beijos a todos, saudades imensas!
Si
Oi Simone
ResponderExcluirJá sei que os posts futuros serão cheios de novidades na Capadócia/Grécia.
Aguentem-se! (nem sei se existe esta expressão, mas depois de um tempo "tolhidas" na Turquia é só esta que eu posso recomendar.
Istambul dever ser mesmo maravilhosa, e quer saber mais? Cada vez nós estamos gostando mais dos turcos (nada de bebidas, de decotes, de saídas "super" noturnas... -)só programas caseiros!
Vão de leve da Grécia, ok?
bjs - claudia
Sii
ResponderExcluirquando vcs voltam?? Vi que tu vai na formatura da Gabé !
beijoss
AHAHAHAH e é por isso que eu AMO o Brasil :)
ResponderExcluirBom, mais um comentário para não alegares que eu só li o primeiro post e fugi...
ResponderExcluirFiquei, em parte, com vontade de conhecer Istambul. Hehehe.
Lu!
ResponderExcluirEu volto no dia 27, é uma terça-feira. Se estiver em Jlle me liga, quero ir à noite comer sushi!
Tô morrendo de vontadeee...
Bjsss